:: Pelo tempor que for

22-08-2010 20:54

          

 

    Reza a lenda que o amor quando está escrito nada separa, não importa o que aconteça: se o amor for uma profecia, ela se cumprirá e nada poderá impedir; nem o ódio, nem o homem, muito menos a morte.
            Mas a morte pode não ser o monstro que falam, mesmo porque representa a eternidade e essa é um dos sonhos de conquista do homem, não é verdade?!
            Mas, não é sobre a eternidade, morte ou ódio que vamos falar, embora esteja relacionado.            
            Tudo nesse mundo se relaciona, se liga de algum jeito e nesse caso o que liga todos esses elementos é o sentimento mais antigo do mundo, o amor.
            Desde que nascemos, aprendemos a amar, é o que nos ensinam, insistem em ensinar, mas, e se na verdade o amor vier muito além da vida?

 

            Em el silêncio de mi habitación aún siento el mormúllo de tu voz lastimándome con un dulce adiós ♪ ' 
(No silêncio de meu quarto ainda sinto o murmúrio de tua voz machucando com um doce adeus)

            Era uma segunda feira. Uma típica segunda feira nublada em Forks. Seria um dia incrivelmente normal para Rosalie, como todos os dias de sua vida, se não fosse por um único fato: estava se mudando para longe. Quilômetros de distância de todas as suas certezas.
            Batendo a mão no despertador que ecoava de maneira estridente, ela rolou na cama.            
            Se lembrava muito bem porque estava indo, seus parentes não a deixavam esquecer um minuto sequer.
            Olhar para Edward e Jasper não a deixava esquecer.
            Edward: O irmão perfeito que sempre foi bom em tudo que fez e agora estava casado e tinha uma filha linda.            
            Jasper, o típico prodígio, o melhor da escola, melhor aluno, melhor filho. E seu irmão gêmeo. Lembrou-se mentalmente. Às vezes se esquecia. Eram tão diferentes em tudo!
            Ela se lembrava exatamente do momento em que pediu para que fosse estudar na Inglaterra. Lembrava-se perfeitamente bem quando chamaram seus pais no Forks Hight School por ela não se adaptar.
            Rosalie suspirou. Longe de tudo o que conhecia. Era exatamente o que queria. Algo lhe dizia que havia tomado a decisão certa.
            Após tomar um bom banho ela seguiu até a mesa do café. A família estava silenciosa. Todos olharam quando ela se sentou. Sentia como se um nó estivesse preso em sua garganta, não conseguia falar. Ao que percebia, todos estavam assim.
            Bella, a esposa do irmão, com muito custo quebrou o silêncio.  

          
_ E então rose, animada?
_ Sim, vai ser uma experiência fantástica.
_ Rosalie, quem você quer enganar?! Porque não fica com agente e esquece essa maluquice toda? – Jasper explodiu. Desde o início foi contra a partida da irmã.
_ Jas, eu quero ir.

_ Já que quer tanto, vamos Rosalie. É hora de levarmos você ao aeroporto – Disse Edward sem emoção nenhuma.

 

            Todos se levantaram da mesa e Carlisle buscou as malas de Rosalie.   

Don't know what's down this road, I'm just walking ♪ '           
(Não sei onde essa estrada vai dar, eu estou apenas andando)


            Seguiram todos para o aeroporto, apesar de Rosalie insistir que podia ser levada por um taxi. Na ultima chamada para o embarque.


_Você não precisa fazer isso filha, não quero que vá – Esme disse em prantos. A mãe sempre super protetora não queria que a única filha mulher se afastasse.
_ Rosalie, se tiver certeza do que quer lhe apoiaremos, mas, não acha que deva pensar melhor?
_ Não pai, tenho certeza de minha decisão. Até breve, amo vocês.


            Após um abraço em cada um deles, Rosalie passou pelo portão de embarque. Viu toda a família reunida e sentiu um enorme aperto no peito. Se sentia em uma despedida definitiva, mesmo sem um motivo aparente.
            A cena da despedida se repetia em seus pensamentos, até que vencida pelo cansaço, ela acabou adormecendo no avião. Acordou quando o mesmo passou por uma turbulência passageira e logo depois pousou. Havia chegado a seu destino final.
            Uma mulher de aparência severa e com um forte sotaque britânico não parou de falar um minuto sequer. O caminho era longe e irregular.
            Quando chegaram finalmente ao colégio, após percorrer um longo caminho, a mulher de nome Jane fez questão de mostrar cada canto do colégio como se exibisse um troféu.
            Citando cada regra de forma ríspida,andaram a passos rápidos até chegar a uma porta no fim do corredor mais alto do colégio. A mulher parou:

 

_ Bem, chegamos a seus aposentos, senhorita. Como começou fora das épocas escolares, você fica com esse quarto, que particularmente não costuma ser usado, até que consigamos um quarto melhor para você. Terá que cuidar da limpeza e organização de suas coisas. Suas roupas você deve lavar em nossa lavanderia toda sexta feira. Apagamos as luzes às dez horas e às dez e meia temos nosso toque de recolher. As senhoritas pegas depois desse horário andando pelos corredores podem ser expulsas. As refeições têm seus horários definidos que devem ser rigorosamente cumpridos. Todos seus horários escolares e de refeições se encontram em um papel em cima de sua cama. Alguma dúvida?
_ Nenhuma senhora – Respondeu Ríspida.
_ Então bem vinda. Espero que goste daqui.
_ Obrigada, com licença.


            Rosalie se virou entrando no quarto. O lugar era... Diferente. As paredes eram de pedra. Elas estavam ali por séculos – pensou – A cama era grande, parecia confortável. No quarto havia um guarda roupa que supriria suas necessidades e um sofá vermelho ao canto.
            Cansada, se jogou na cama, deixando a mente vagar. Lembrava-se nitidamente da cena da família acenando. Esme chorando como criança e do lindo sorriso de Renesme.
            Quase chorava – coisa que não costumava fazer – quando seus pensamentos foram interrompidos por batidas na porta.
            Rosalie teve esperanças de que as batidas cessassem, mas não cessaram então, vencida pelo cansaço abriu a porta e se surpreendeu.
            Uma menina com feições miúdas e que parecia extremamente delicada estava lá, parada. Era baixa, bem baixa e tinha o cabelo curto picotado em várias direções.


_Você é a novata não? Rosalie?
_ Sim...
_ Prazer, Alice. Me convida para entrar?
_ É...


_ Obrigada!
            Alice já estava no quarto quando Rosalie menos esperava. A garota respirou fundo. Sentia que seria difícil controlar aquela garota. Após pensar um pouco fechou a porta e sentou ao lado de Alice, no sofá vermelho que se encontrava no canto do quarto.

 

_ E então Rosalie? Não vai desfazer as malas?
_ Ainda não tive tempo... E ver as coisas que trouxe de casa, não sei...
_ Não fique triste. Existe mais de você aqui do que você mesma imagina.
_ Como?
_ Nada. Vamos, eu lhe ajudo.
_ Espere.


            Tarde de mais. A menina, Alice, já havia aberto uma das malas e Rosalie se juntou a ela. Com o tempo percebeu o quão fácil era conversar com Alice. Quando elas deram pelo horário, o toque de recolher já havia tocado, então Alice saiu sorridente e silenciosa pela porta.

 

 

            Aquela noite foi estranha para ela. Dormir naquele lugar que não conhecia, longe de tudo aquilo que lhe trazia segurança. E o que Alice quis dizer com “Existe mais de você aqui do que você mesma imagina” ?
            Rosalie sonhou aquela noite. Em seu sonho Esme chorava, e estava abraçada ao pai e via Jasper chorando também. Ela acordou assustada com o barulho estridente do despertador.
            Após colocar o uniforme, analisou os horários e desceu para tomar café, e ainda perdida acabou parando em um dos jardins.
            Ela andava quando o sol bateu em seu braço, iluminando os cristais extremamente interessantes que a pulseira de Rosalie continha. Ela brincava, olhando de forma curiosa para pulseira e não percebeu quando ele se aproximou.
            Ele pegou sua mão de leve, e após olhar a pulseira de forma curiosa sorriu de forma espontânea, mas, completamente enigmática. Era como se ele ficasse feliz em vê-la e Rosalie sem saber o porquê sorriu. Ambos se olharam nos olhos e quando ele se aproximou um pouco mais, ainda sorrindo, ela se sentiu estremecer, perder o fôlego. Ela se assustou com o barulho do sino. O café estava sendo servido. Então sem dizer nada, ele se afastou e Rosalie pouco tempo depois foi tomar café.
            Ela sorria admirando a pulseira quando Alice se sentou a seu lado.

 

_ Bonitos diamantes.
_ Você é a segunda pessoa hoje que repara neles.
_ Sério?! Quem foi a primeira?
_ Era um homem... Sabe, ele segurou meu braço para que pudesse ver melhor e...
_ E?! – perguntou entusiasmada.
_ Ele mexeu comigo. Não sei lhe dizer, mas, fiquei realmente feliz em vê-lo.
_ Me espantaria se ele não mexesse com você.
_ Você sabe de quem falo?
_ Sim, Emmett, meu irmão. Ele é o jardineiro daqui.
_ Jardineiro é?
_ Sim, tem algum problema com a profissão dele?
_ Nenhum...
_ Que bom... Agora vamos, senão nos atrasamos. Anda.

 

 

I'm alone, on my own, and that's all I know ♪ '

(Eu estou sozinha, comigo mesma, e é tudo que eu sei)


           
Alice puxou Rosalie pelo refeitório até que chegassem a um lugar estranho. Era um jardim também, mas, sem vida.


_ Ei Alice, falta uma hora ainda para as aulas e sabe, isso aqui não se parece uma sala de aula.
_ E não é... Observe bem esse ambiente rose... – Rosalie obedeceu. Passou a olhar a grama verde e incrivelmente bonita porém, sem nada de interessante. Não havia vida ali – E então?
_ Se parece comigo.
_ Sabe, devia vir aqui hoje à noite...
_ Por quê?
_ Intuição –piscou – agora vamos, temos aula agora.


            Ambas assistiram todos horários daquele dia, porém, as palavras de Alice não saiam da cabeça de Rosalie. Aquele campo vazio também era uma imagem que se repetia continuamente, porém, só não mais que o sorriso de Emmett que ficou gravado de forma impressionante.
            Eram quase oito horas quando ela resolveu caminhar. Com as tarefas prontas e sem ter com quem falar, o que restava a fazer era isso. Pensou em procurar Alice, mas, desistiu da idéia. Tinha medo. A menina às vezes falava coisas que mostravam muito dela, muitas coisas que ainda não conhecia sobre si mesma.
            Ela andava sem rumo e seu corpo a levou involuntária até o campo verde que agora só era iluminado pela luz da lua. Sentada na grama, ela passou a analisar o céu. A lua era extremamente brilhante e todo brilho ofuscava a beleza de Rosalie. A beleza que ela sempre valorizou, de que valia agora? Estava sozinha, sem as pessoas que amava, e nem todo seu dinheiro podia deixá-la feliz. Tirou os diamantes do braço. Talvez aquelas pedras valessem mais que ela. Num impulso iria atirá-las quando uma mão segurou seu braço.


_ Não devia fazer isso.
_ E porque não devia?! – disse ríspida.
_ Porque essas pedras representam muito mais que o simples valor material.

_ Você e sua irmã não parecem ser desse mundo viu. – resmungou e Emmett riu logo depois de ouvi-la.
_ Desse mundo – ele ria como se houvesse ali uma piada pessoal – mas, porque diz isso?
_ Não sei, parecem me conhecer mais do que eu me conheço... É estranho, me dá medo. Mas, não sinto medo de vocês e sim de não me conhecer um dia como me conhecem agora... E eu nem sei por que estou falando isso, somos estranhos- eles riram.
_ Se esse é o problema. Emmett.
_ Rosalie – eles sorriram – e então, sua irmã disse que trabalha aqui.
_ Sim, sou jardineiro daqui – logo após dizer isso, ele colocou a pulseira de volto no braço dela.
_ A muito tempo?
_ Posso dizer que mais do que imagina.
_ Ual... – ficaram se olhando.


            Ele a beijou e logo depois de um beijo intenso e demorado Emmett se levantou e saiu a passos largos. Rosalie não entendeu nada, mas, aquele beijo parecia ter sido único e ao mesmo tempo conhecido. Completamente confusa ela voltou para o quarto e teve uma surpresa, todas as meninas a esperavam lá.


-Surpresa! – Disse Alice sorrindo em seu quarto, com várias meninas de pijama.


I'm forced to fake a smile, a laugh every day of my life ♪ '  

( Eu sou forçada a finjir um sorriso todos os dias de minha vida )


_ Viemos conhecer você novata Disse uma menina baixa e bronzeadameu nome é Jessica.
_ Prazer, Rosálie.
_ Ual, quantas coisas bonitas você tem aqui, parece até uma grife seu guarda roupa.
_ A é? respondeu sem entusiasmo.
_ Me desculpe, tive que fazê-lo. A inspetora pensou ter visto uma aluna aos beijos com o jardineiro e não queríamos que ela te expulsasse certo?Alice disse baixo no ouvido dela e logo depois piscou. Rosalie deu um sorriso leve e continuou sorrindo por toda noite.


            Naquela noite o tempo parecia não passar e quando o toque de recolher soou, Rosalie deu graças a Deus. Após todas as meninas deixarem o quarto, a garota escreveu um email para seus pais contando sobre o colégio, porém sem dar nenhum detalhe de como estava ou algo assim.
            O dia seguinte foi frustrante por não vê-lo em nenhum jardim, por não velo em local algum. À tarde Rosalie teve a notícia de que Ângela, uma das meninas que a visitaram no dia anterior, iria dividir o quarto com ela. Era noite quando Ângela e Alice estavam no quarto conversando e Rosalie ouvia música.


_ Ei loira, conhece as histórias dessa parede que você habita?!
_ Desse quarto?
_ Bem, o quarto é peça fundamental, mas, é praticamente a história desse colégio, gostaria de saber?
_ Sim – disse realmente curiosa.
_ Não é uma história feliz.
_ Eu não acredito em histórias felizes. –  respondeu segura.

 

Either way, I found out I'm nothing without you ♪ '           
( De qualquer forma, eu descobri que não sou nada sem você )



_ Conto eu ou você Alice?
_ Pode contar.
_ A história começa a muitos séculos atrás, quando esse local era um convento, o mais rígido de toda região. A quem diga que não tinha em lugar nenhum convento mais rígido que esse.

            Em um ano qualquer entrou aqui uma menina rica. Ela não tinha vocação alguma para que se tornasse freira, porém por uma promessa da mãe em seu parto, ela veio parar aqui. Diziam que era a mulher mais bonita do mundo.
            Contam aqui que as freias não a faziam usar um hábito porque achavam um pecado que uma beleza tão única se escondesse. Diziam que se parecia com anjos, e que talvez fosse um que veio parar na terra por engano.
            A tal garota adorava andar pelos campos daqui, mas, como sempre foi muito rica, nunca se importou com nada que não fosse material, que não pudesse pegar.

            Certo dia ela conheceu um jardineiro pelo qual se apaixonou sem saber de sua profissão e ele se apaixonou por ela sem saber de seus votos.

            Bem, pelo que imagina, essa história não podia terminar bem. Ambos se sentiram enganados, mas, não tinha jeito, se amavam de verdade. A madre um dia flagrou os dois juntos e como sempre soube da ambição da garota, disse que quebraria os votos dela se o tal jardineiro voltasse rico. Ele teria que voltar com diamantes, que não são pedras muito comuns nessa região.

            O tal jardineiro ficou com medo e sugeriu a ela que fugissem, mas, ela queria os diamantes. A garota era gananciosa e ficou realmente tentada pelos diamantes. Então no dia seguinte ele seguiu para a procura pelas pedras.

            Um mês depois chegou uma carta anunciando a morte de seu amado. A garota se sentiu um lixo, desabou e depois disso, ficou cada vez mais fraca e após 3 meses ela morreu.

            Por ironia do destino a morte dela coincidiu com a volta do tal homem e ele foi levado pela madre – que sorria – até o quarto e encontrou sua amada, morta.

            Dizem que ele se desesperou e colocou no braço da amada uma pulseira de diamantes e logo depois que saiu do quarto, foi para um dos jardins, onde já não tinha nada.

            O jardineiro se matou lá, com uma adaga enferrujada que encontrou naquele local. Dizem que onde o sangue dele caiu nasceram rosas negras como a noite e que aquelas flores nunca haviam sido vistas em lugar algum.

            Desde essa época não entram homens nesse colégio, e nenhuma rosa caiu ou nasceu no campo onde ele morreu.


            Nesse momento o toque de recolher soou e Rosalie se assustou. Estava realmente compenetrada na história e aquele barulho a tirou do estado de transe. Ela havia dito nenhum homem, mas, e...
_ Aqui tem um homem sim, um jardineiro!
_ Não, é uma jardineira.
_ Alice...
_ Eu explico depois Rosalie.
_ Não Alice, agora!
_ Não posso Rosalie, o toque de recolher, lhe explicarei tudo amanhã cedo.

 

 

Forever united here somehow ♪ '           
( Pra sempre unidos, de alguma maneira )



           
Aquela noite foi realmente longa para Rosalie. Ela não dormiu um minuto sequer e ficava se mexendo na cama.


_ Hey rose, eu preciso dormir, se não se importar.
_ Me desculpe Ângela,perdi o sono.
_ Por causa da história?
_ Sim.
_ A, qual é, é só uma lenda idiota.
_ Mas, me explique algo, quem havia mandando a carta para a garota?
_ A madre superiora, para que a garota nunca magoasse a mãe. Ela não podia quebrar uma promessa que não era dela. Agora dorme tá?


            Rosalie estava mais que certa de que não era uma lenda idiota. No dia seguinte ela mal levantou e correu ao encontro de Alice. Ela precisava lhe contar algumas coisas.

           Alice andava distraída pelos corredores quando:


_ Alice pare onde está senão eu vou correndo e pulo em cima de você, e te esmago!
_ Não acho que conseguiria. Vocês são apenas humanos.
_ Alice, aquela lenda. A tal garota sou eu?
_ Sim.
_ E o jardineiro?
_ Emmett.
_ Mas, segundo Ângela, ele não existe. E a história da inspetora ter me visto com ele?!
_ Ela não o vê. Ninguém vê. Essa foi uma pequena mentira para que eu pudesse te mostrar os dois lados da história Rosalie.
_ Como não?! Ele é de carne e osso, eu o beijei Alice! – ela estava histérica – e que outro lado da história?
_ Acalme-se. Bem, o outro lado seria você querer continuar com a sua vida, talvez fazer amigos. – Alice respirou fundo e continuou – Vamos andar – ambas já estavam em movimento quando – é o seguinte, ninguém saber a história toda.
_ E qual seria o restante da história?

_ A alma de Emmett se desprendeu do corpo, porém, não teve o descanso eterno. Suicidas não podem descansar enquanto não cumprem sua missão. Então quando morreu, por sempre ter sido um homem bom, ele teve duas opções: perdia a amada para sempre, porém teria ser descanso eterno, ou esperaria por ela vagando no local que morreu, até que ela voltasse e decidisse seu destino, o mesmo que lhe foi tomado.
_ E quais são minhas opções?
_ Se juntar a ele ou ir embora, libertando de vez a alma dele e a sua dessa profecia. Então a história dos dois se perde no espaço e o amor que uniu o coração dos dois também. É esse o motivo pelo qual você não se encaixa, Rosalie. Sempre faltaria a metade de sua Alma é essa é Emmett até que tome sua decisão. Dizem que quando nos apaixonamos é nosso coração que entregamos para a pessoa amada, mas, isso é tolice. Quando se ama de verdade, metade de sua alma, de quem você é, pertence a pessoa que ama.
_ Eu tenho algo a fazer Alice, foi bom te conhecer – ela disse se virando.
_ Ei rose
_ Sim?!
_ Seus pais virão lhe buscar.
_ Alice o que você realmente é?
_ Uma fada.
_ Mas, você não tem asas...
_ Nenhuma de nós temos. As fadas existem e estão por toda parte, porém, nós somos comuns, só tentamos concertar os erros do destino. Essa é a nossa única função verdadeira – ela sorriu.
_ Obrigada Alice.
_ Rose, pense bem.
_ Eu já tomei uma decisão.


            Rosalie saiu em disparada. Após chegar ao quarto, escreveu uma carta para os pais e os irmãos dizendo tudo o que sentia e após uma hora olhando as fotos da família, ela seguiu para o jardim.

            Já em passos lentos, procurou entre os canteiros e seguiu para o lado onde não havia nada. Após chegar ao centro do campo, com lágrimas nos olhos, enfiou a ponta enferrujada em seu peito, e sentiu seu corpo se perdendo, perdendo as forças. Sentiu sua alma se desprender e Emmett estava a seu lado, lhe dando a mão.

            Ela sorriu. Envolvida em um abraço, seguido de um beijo que selava a eternidade essa história termina. Rosalie e Emmett seriam felizes por toda a eternidade como esperaram a tantos séculos para ser.

            Rosalie entendeu em fim porque nunca se adaptou, sempre foi de outra época e Alice em fim cumpriu sua missão.

Epílogo: O que aconteceu depois.

            Alice olhava com os olhos mareados, porém feliz para o canteiro que se floriu totalmente de rosas negras como num passe de mágica. Agora Rosalie e Emmett estavam salvos. Salvos da solidão que poderia ser eterna que Alice tanto conhecia.
            À noite quando os pais de Rosalie chegaram junto com seu outro filho – Jasper –  ficaram sabendo o que tinha acontecido.

            Naquele momento a fada pode ver a cena mais triste de sua existência.

            Esme chorava de forma angustiante e seu choro ecoava por todos os cantos do colégio.
            Alice se aproximou cautelosa, com a carta nas mãos, e Esme pegou rapidamente. Ela começou a ler em voz alta:


“Queridos Ed, Jas, Pai, Mãe, Nessie e Bella;   

                    

            Quando lerem estas poucas palavras eu já não estarei mais em corpo com vocês, porém, sempre estarei com vocês, independente de onde estiver.
Aquela despedida no aeroporto, bem, eu já sentia ser a despedida eterna.

            Vocês não imaginam o que me levou a isso, porém saibam que tomei a decisão certa. Toda a angustia e o sofrimento de não me encaixar acabou aqui e espero que não chorem por mim, estarei feliz como nunca estive.

            Só se lembrem dos bons momentos, pois será assim que me lembrarei de vocês. Somente dos sorrisos, abraços, carícias.
            No mais, mamãe, não se culpe você não fez nada de errado, muito pelo contrário, foi a melhor mãe do mundo, Jasper, agora tenho mais que certeza que não somos metades, éramos inteiros e cabe a você cuidar da mamãe por mim. Ed, cuide bem da Bella e de Nessie, amo vocês, e Pai, obrigada por toda sabedoria que me deu, sem você, eu continuaria sendo a garota fútil que fez tudo errado.


Amo vocês por toda eternidade 
Rosalie

 

            Esme abraçou a carta chorando. Em pouco tempo ela se conformaria e faria o que Rosalie pediu: lembrar-se apenas das boas lembranças, o pai, os irmão ficaram tristes, obviamente, porém estavam confortados, porque algo dizia que rose estava melhor que nunca.
            E quanto a Alice, quando seus olhos se cruzaram com os de Jasper ela pode ter a certeza de que o amor de sua vida estava ali e que sua solidão estava prestes a acabar, mas, essa é outra história.

 

 

 

 

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